Action RPG: Subgênero ou uma Mera Jogada de Marketing?

O termo Action RPG, que faz menção a um tipo de RPG cujo combate é mais voltado para o lado dos jogos de ação, vem sendo amplamente utilizado pelos players e pela própria indústria dos games há muito tempo.

Contudo, há alguns membros da indústria que não são à favor do uso dessa terminologia e nem a consideram como um subgênero. Aliás, esses críticos vão além e pontuam que a ideia da “tag ARPG” é uma mera jogada de marketing, voltada a aumentar o apelo de jogos “legais para jogar com um gamepad”.

Bem, foi para falar sobre essa pequena controvérsia e para apresentar os conceitos por trás do termo Action RPG que eu resolvi criar este post. Como irá perceber, além de focar nas discussões, também deixei alguns exemplos que ilustram perfeitamente o que você pode esperar desse tipo de jogo… vamos conferir?

O que é um Action RPG?

De forma bem simples, um Action RPG ou RPG de Ação, pode ser definido como uma opção que usa como base os elementos típicos de jogos de RPG, mas emprega em sua estrutura alguns conceitos de jogos de aventura e ação.

Geralmente, a adesão dos elementos desses tipos de jogos à base do RPG acontece nos sistemas de combate e movimentação. No caso dos combates, é comum encontrarmos situações que acontecem em tempo real e, em relação à movimentação, temos mecânicas dinâmicas que dão ao player um controle maior sobre os personagens e suas ações.

Quando comparados com a fórmula tradicional de um J-RPG ou de um bom RPG de Turnos, fica muito fácil diferenciar os Action RPGs. Talvez por isso, a utilização do termo tenha se tornado um padrão da indústria.

Portanto, um Action RPG é um jogo de RPG cujos combates e as interações dos personagens com inimigos e cenários acontecem de maneira mais dinâmica e em tempo real, o que os posiciona em uma direção bem diferente dos RPGs de turnos.

Por que o termo Action RPG é controverso?

Agora que você já sabe o que é um Action RPG, podemos falar sobre as controvérsias que giram em torno do termo. Nesse caso, a principal crítica à utilização do conceito de Action RPG, enquanto um tipo de subgênero, diz respeito à sua definição, que muitos consideram bastante vaga.

De certo modo, os críticos focam no fato de que a “tag ARPGA não representa, com precisão, a experiência principal que um jogo pode oferecer. Ademais, algumas pessoas chegam a alegar que o termo RPG de Ação pode criar falsas expectativas nos consumidores, já que, em tese, a grande diferença está nas mecânicas de movimentação e nos combates.

Em outras palavras, dizer que um jogo é um Action RPG acaba sendo uma classificação superficial, que exigiria complementos para poder apresentar claramente as qualidade de um título, enquanto experiência “role-playing”.

Nesse sentido, alguns chegam a pontuar que a “tag ARPG” é uma jogada de marketing, cujo intuito é aumentar o apelo de certos games que, no fim das contas, nem chegam a ser RPGs.

Se pararmos para pensar, faz sentido. Afinal, geralmente associamos um “ARPG padrão” ao clássico Diablo, embora jogos como Borderlands também sejam considerados Action RPGs. Se essas duas grandes franquias são bem diferentes, como elas poderiam pertencer ao mesmo gênero? Enfim, é realmente um debate que exige algumas boas horas de reflexão.

Exemplos de jogos desse tipo…

Após as discussões e definições relacionadas ao subgênero Action RPG, acredito que seja uma boa ideia focarmos em alguns exemplos, com o intuito de averiguar como essa terminologia acaba sendo abrangente e, não necessariamente, eficiente, enquanto “elemento classificador” de um título. Segue a lista…

Fallout: New Vegas

Dando início à minha rodada de exemplos, temos o excelente Fallout: New Vegas, de 2010. O jogo conta com estruturas típicas de Jogos FPS, mas reúne alguns bons elementos de RPG e essa combinação acaba qualificando o game para receber a “tag ARPG”.

Em Fallout: New Vegas, os players embarcam numa aventura que se passa em um cenário pós-apocalíptico, no qual a luta pela sobrevivência é um grande destaque. O game tem uma bela narrativa e fortes aspectos de “role-playing”. Por isso, é uma alternativa que merece a sua atenção.

Torchlight III

Conforme eu já destaquei, uma das grandes referências que os players têm, no que tange à ideia de um Action RPG, é a franquia Diablo. Assim, por consequência, os jogos semelhantes aos títulos dessa série acabam sendo bons exemplos também. Nesse caso, cito o belo Torchlight III.

Apesar de não ter sido tão bem recebido quanto seus antecessores, Torchlight III é um ótimo exemplo para a nossa lista. Com seus cenários isométricos e seus combates intensos, o game sintetiza todas as regras que ajudaram a estabelecer a ideia do termo Action RPG.

CrossCode

Como não poderia deixar de ser, o segmento dos jogos indie também é rico em espécimes do gênero ARPG. E sim, CrossCode, de 2018, é um dos títulos que mais se destacam dentro dessa linha. Por remeter a grandes clássicos, essa aventura de “ar retrô” garante momentos de grande emoção.

No que diz respeito ao gameplay, CrossCode apresenta uma movimentação intensa e habilidades que favorecem a aplicação de diversas estratégias, em tempo real. Ademais, o game apresenta uma ótima narrativa e muitos elementos de RPG. Em suma, esse é mais um grande exemplo.

Grim Dawn

Action RPG

Voltando a falar sobre jogos semelhantes ao títulos da franquia Diablo, temos aqui o ótimo Grim Dawn, de 2016. Esse game merece destaque por ter uma premissa bem interessante e um avançado sistema de desenvolvimento de personagens, além de ótimas árvores de habilidades.

A história de Grim Dawn e a forma como ela é apresentada também merecem destaque. Tudo se passa em um mundo aberto bem sombrio, no qual algumas forças de poderes superiores entram em guerra, sem se importar com a presença dos humanos no meio do “fogo cruzado”.

Children of Morta

Action RPG

Fechando a primeira metade desta lista com exemplos do gênero Action RPG, temos um dos meus jogos favoritos, o impecável Children of Morta, de 2019. Esse jogo é a prova de que construções em pixel art, mesmo não sendo muito realistas, podem dar vida a histórias de enorme apelo emocional.

O jogo conta a história de uma família, cuja missão é enfrentar um Deus que “perdeu o rumo”. Os combates do game são muito desafiadores e o sistema de desenvolvimento dos personagens deixa claras as inspirações oriundas dos jogos de RPG. Para quem deseja experimentar uma bela jornada, essa é uma opção praticamente obrigatória.

Ni No Kuni II: Revenant Kingdom

Action RPG

No início da segunda metade desta lista, temos uma inclusão um tanto quanto controversa. Ni No Kuni II: Revenant Kingdom, de 2018, é um J-RPG, em essência, mas, como um Action RPG exibe elementos de ação (especialmente nos combates) o exemplo é perfeito e fortalece os argumentos dos críticos do termo.

De qualquer forma, ser um ARPG não significa que Ni No Kuni II: Revenant Kingdom é um game superficial. Pelo contrário, a história é bem profunda e seu visual merece total atenção. Ao longo da jornada, o game consegue prender a atenção dos players e incitar diversas reflexões. Muito bom!

Darksiders Genesis

Falemos agora de Darksiders Genesis, que foi lançado em 2019. Esse título merece uma análise cuidadosa, pois ele pertence a uma franquia de jogos Hack and Slash (e até apresenta essa característica), mas suas construções e mecânicas o colocam em uma posição muito próxima daquilo que é oferecido pela franquia Diablo.

Assim sendo, Darksiders Genesis acaba se apresentando como um Action RPG de alto nível. Sua ambientação e seus combates eletrizantes são os grandes destaques, mas os elementos de RPG marcam presença na jornada de uma forma bem relevante.

Trials of Mana

Lançado em 2020, Trials of Mana é a versão remake de um clássico do Super Nintendo que jamais havia sido lançado no Ocidente. Mesmo sendo uma releitura, o game foi fiel ao produto original, mantendo o seu sistema de combate intacto e promovendo apenas ajustes na perspectiva e no visual.

Em Trials of Mana, os players podem escolher um dos seis personagens disponíveis, a fim de acompanhar uma história rica em passagens emocionantes. Esse é mais um exemplo de como o termo Action RPG pode ser controverso, pois esse game vai muito além da ação.

Borderlands 3

Action RPG

Para aumentar ainda mais a polêmica acerca do termo Action RPG, cito agora o grande Borderlands 3, que fez a sua estreia em 2019, dando continuidade às histórias do planeta Pandora. O título é polêmico, para o tema deste post, pois qualquer um diria que ele é um game de tiro em primeira pessoa, não um RPG.

Todavia, quando nos aprofundamos na aventura, percebemos que os elementos de RPG estão espalhados por todos os cantos e esses elementos são tão relevantes que o jogo não poderia ser considerado um jogo puramente de ação. Em suma, esse Action RPG pode ser a peça-chave para discussão acerca do gênero.

Diablo III

Action RPG

Colocando um ponto final nesta lista de exemplos, temos Diablo III. Lançado em 2012, esse é o mais recente título (até o momento) a fazer a sua dentro da franquia da Blizzard. E sim, o game é a primeira imagem que vem à mente de um player quando ele pensa em como funciona um Action RPG.

Mesmo dando enorme ênfase ao “role-playing”, Diablo III oferece um gameplay cheio de ação, no qual os players devem superar hordas de inimigos, em dungeons sombrias e cheias de obstáculos. E não podemos negar que a história é até boa, mas as pessoas gostam mais é dos combates eletrizantes.

Action RPG: uma “tag” muito popular!

Chegamos ao fim do post e acredito que as informações apresentadas aqui tenham servido para dar início aos seus questionamentos em relação ao gênero Action RPG. Quem critica a aplicação do termo, enquanto gênero, tem bons argumentos, mas não podemos negar que a “tag ARPG” já é muito popular.

Sendo assim, o que nos resta é sempre tomar o cuidado de analisar o jogos com o marcador Action RPG, a fim de verificar se a experiência será realmente “role-playing” ou apenas um show de adrenalina em combates sem motivações muito profundas. Até mais…

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